Ilustração para livros infanto-juvenis (Guia Definitivo)

Por Fernando Rebouças

No mercado editorial, autores e editores sempre precisam de ilustrações para livros infanto-juvenis e infantis. Nesse segmento de publicação para livros seculares, paradidáticos e didáticos, o uso da imagem é fundamental para atrair e prender a atenção do leitor.

Os outros tipos de publicações editados para o público mais adulto também podem precisar da inclusão de imagens e desenhos como forma de orientar o leitor e gerar valor para o conteúdo da obra.

Porém, nem todas as editoras e os autores sabem selecionar o ilustrador certo para determinados projetos, repetindo padrões estéticos e não conseguindo encontrar o profissional.

Neste artigo falaremos mais sobre os melhores caminhos para que autores, autores independentes e editores iniciantes possam encontrar a ilustração e o projeto visual que precisam para as suas publicações.

Ilustração para livros infanto-juvenis

Quando nos referimos a esses tipos de publicações, destacamos o público com idade escolar e em pleno desenvolvimento cognitivo, principalmente, com idade entre oito a quinze anos de idade, podendo essa faixa etária variar conforme a política de leitura e de educação de cada país.

Normalmente, nas livrarias e nas bibliotecas, as obras dedicadas ao livro infantil e ao livro infanto-juvenil são disponibilizados no mesmo setor ou distribuídos em estantes próximas.

No contexto do conteúdo, o texto ou o roteiro de uma obra escrita para esses públicos pode exigir a criação de imagens descritivas (que descrevem e ilustram a narrativa do texto) ou representativa (quando personagens, trechos ou símbolos da história são desenhados pelo ilustrador para compor determinada página).

Como organizar um roteiro de ilustração

Geralmente, o ilustrador recebe uma cópia do livro ou do texto da história que deverá ser ilustrado, e nem sempre os editores e autores grifam quais trechos da narrativa ou do conteúdo devem ser ilustrados e muito menos apresentam o briefing (resumo do projeto, objetivos e público) para orientar melhor o ilustrador.

É sugerido ao autor, editor e ilustrador a organização de um roteiro paralelo ao roteiro principal para especificar quais páginas, trechos e personagens devem ser desenhados em cada página.

Caso contrário, a ilustração será livre e aberta, ou seja, caberá ao ilustrador ler a história presente na obra e desenhar conforme a sua sensibilidade e percepção.

Em ambos os casos (com roteiro ou não para o ilustrador seguir), é aconselhável que o ilustrador faça um storyboard ou rascunho inicial onde ele apresente o layout de cada quadro ou página a ser ilustrada para aprovação do editor e autor. Posteriormente, será iniciado os desenhos e as artes finais que farão parte das ilustrações definitivas da obra.

Preço e valores

No mundo do marketing e, acreditamos, que no mundo no marketing editorial é importante não confundir preço com valor.

Muitas vezes, por exemplo, comprar um automóveis de 1 milhão de dólares pode não resolver a sua única necessidade de se locomover até o trabalho ou faculdade. Se a sua necessidade é apenas ter um veículo próprio, adquirir um carro popular ou de médio porte pode resolver os seus problemas.

O que quero dizer com isso? Quanto mais valor você acrescenta a um veículo (potência de motor, design, qualidade do pneu, marca, revestimentos dos bancos, status, tecnologia de última geração e entre outros atributos), mais necessidades e desejos do consumidor ele atenderá e mais caro custará o preço do veículo.

Por outro lado, se o mesmo veículo atende o propósito fundamental de ser potente, seguro e econômico, você não precisará pagar muito caro para ter uma Ferrari.

Gerar valor é agregar qualidade, oferecer opções e resolver o problema do cliente e para cada escala de valor existe um preço de custo e de mercado a ser pago.

Sendo assim, se você é editor ou autor de livros infantis, infanto-juvenis ou didáticos e além da edição básica, você precisa incluir a publicação de uma edição mais luxuosa com mais desenhos específicos e detalhistas, com a inclusão de QR Code para games ou site do livro, capa dura, revestimento de brilho na impressão das páginas, entre outros atributos,  mais caro será o projeto geral do livro e mais caro custará o trabalho de um ilustrador.

Mas, pensando no mercado para as edições básicas e de médio envolvimento (a serem publicadas com preços mais acessíveis no mercado) o ilustrador pode ser contratado para ser pago por cada página ou conjunto de páginas a serem ilustradas a preços acessíveis para todos.

Outros fatores

Outros fatores que podem encarecer ou otimizar os custos de ilustração para livros infanto-juvenis é o fator do formato de cada desenho (A5, A4, A3, A2, entre outros), se a ilustração será colorida ou em preto e branco, se exigirá o desenho manual ou digital, o prazo e estilo solicitado.

Contrate boas ilustrações

É importante contratar boas ilustrações. Tem sido comum muitos livros infantis e infanto-juvenis serem publicados com poucos desenhos ou sem qualquer tipo de ilustração, contendo ilustração somente na capa e contracapa como forma de posicionar a obra para um público com mais idade.

Mas, em outros casos, publicações com poucas ilustrações ocorrem por questão de economia ou de redução de custos justificando a não contratação de ilustrações que poderia agregar valor visual ao livro e atrair melhores resultados para conquistar mais leitores.

Dessa forma, é fundamental que editores e autores não temam contratar ilustradores para os seus projetos, mantendo o melhor diálogo possível com o ilustrador contratado.

Conclusão

Portanto, num mercado editorial onde cada vez mais editores e autores entram no mercado para publicar e vender suas obras, a criação e edição visual de desenhos e imagens ajuda a gerar valor para o livro e a criar um diferencial para a obra no mercado.

Uma imagem vale mais do que mil palavras e quando a obra tem um peso literário que vale mais do que um milhão de palavras ao ter a capacidade de tocar o emocional do leitor e melhorar a experiência de leitura, a obra terá mais força de marcar a vida do leitor e de ser muito útil para enriquecer a leitura.

Dessa forma, todos nós podemos compreender que a ausência de ilustrações pode comprometer uma boa história e um bom projeto editorial. Vale a pena ilustrar um bom livro.

(Fernando Rebouças é desenhista, ilustrador e autor de quadrinhos autorais das histórias do Oi! O Tucano Ecologista www.oiarte.com e Scriptah www.scriptah.oiarte.com , é publicitário e pós-graduado em produção editorial com portfólio de ilustração publicado em http://www.cartunando.oiarte.com/index_cartunando.html )

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